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Entrevista exclusiva com o vocalista
Baffo para o Antena Rock
Antena
Rock - Há quanto tempo vocês estão na
Europa?
Baffo - Estamos morando aqui
na Europa há 2 anos e quatro meses. Nós mudamos
para cá em Junho de 1999, logo depois de tocar com
o Sepultura na festa de aniversário de Santo André
em Abril de 1999.
AR - Como
está o CD "Strain" pela Europa?
Baffo - A galera está
gostando muito do STRAIN por aqui. O pessoal da gravadora
tá dando uma ripa feroz com a gente e a coisa está
rolando devagar e sempre. O vídeo tá na TV,
a banda está em turnê, já temos planos
para gravar um vídeo novo no começo do ano que
vem e tudo mais. O STRAIN foi incluído entre os 10
CD's de "cabeceira" deste ano pela revista holandesa
"Music Maker" e o pessoal de uma outra revista chamada
Aardshok escreveram na revista que o STRAIN é o tipo
de disco que se destaca nas prateleiras de lojas de CD's pela
qualidade das músicas!!! Estamos muito felizes com
isso.....a batalha vem de milianos.
AR - Tá
rolando algum clip? Qual?
Baffo - Pode crer! É o
da música "Mata Branca", número 3
do STRAIN. Tá rolando em alguns países aqui,
os caras veêm na TV, mandam e-mail perguntando quando
é que vamos tocar no país deles e tal, é
muito legal! A Mata Branca é uma música que
quando fomos gravar deu um pepino no estúdio! Meu ampli
queimou, testamos outros 20 amplis e nenhum tinha o som do
meu, que na época era um JCM 800 Bass series, que nem
se fabrica mais. E daí tivemos que arrumar um ampli
novo, tinha que ser JCM 800 e só havia uma série
especial pra vender na loja. Nós fomos lá, compramos
e o ampli queimou na primeira vez que ligamos . Era algum
olho gordo... macumba mesmo! Acendemos umas velas e a coisa
clareou. Conseguimos gravar a Mata Branca e decidimos fazer
o clip dela pra espantar os "Espíritos do Mal".
AR - Como
são os shows por aí?
Baffo - Quando
vamos ver alguma de nossas bandas favoritas tocar, a diferença
que notamos é que a naturalidade que o público
tem em ver as bandas e os artistas preferidos tocarem todo
o tempo perto de suas casas fazem com que o público
não se empolgue muito, o que faz os shows serem frios!
Essa é a razão de várias bandas dizerem
que preferem tocar no Brasil e no resto da América
do Sul em vez de ficar por aqui.
Tem muita banda
o tempo todo, muitos shows o tempo todo, o que é o
maior barato! Conheci muita gente indo em shows por aqui.
Um dia eu e o Robson estavamos ouvindo o disco novo do Slayer
num microsystem numa rua perto de casa e o vocal do Paparoach
tava de férias aqui em Amsterdã (todo mundo
vem pra cá comer puta e fumar maconha) e ele passou,
parou e perguntou o que era aquilo. O Robsão falou:
Velhinho, você não conhece o Slayer de longe
não?
Ontem eu tava
no show do Biohazard aqui em Amsterdã e o Nego ainda
estava indo pro show e trombou com o Tom Araia na porta do
lugar, de féria aqui, vendo o show dos manos.

AR
- Na Holanda existem bandas com alguma ligação
com o Retturn? Qual?
Baffo - Tem o
Agresion que é uma banda metade Venezuelana e metade
Holandesa. Eles estão botando pra f.....! O som deles
é legal, bem pesado, classe A. As menininhas do Brasil
deveriam ouvir, elas iriam gostar bastante. Os manos que gostam
de bandas de New Metal americano iriam gostar bastante também.
Os caras nos deram a maior força quando nós
mudamos pra cá e ainda nos ajudam muito. Somos da mesma
gravadora e ainda queremos tocar juntos no Brasil e no resto
na América do Sul. Nesse dia um de nossos sonhos se
realizará. Quero levar os caras pro Brasil. Vocês
podem dar uma olhada na página dos caras: http://www.agresion.nl
.
AR - O CD
STRAIN vai sair no Brasil?
Baffo - Neste
país é difícil pra nós conseguir
dar um trampo. Estamos tentando lançar o disco no Brasil
faz um bom tempo e ainda não rolou porque os caras
ficam com medo de investir uma grana em banda brasileira.
Se eles lançam uma reedição do Infernal
Overkill do Destruction a coisa vende pouco mas vende e assim
se torna grana garantida no bolso deles. É falta de
coragem de investir uma grana mesmo. Mas quem pode dar um
jeito nisso é o fan. O fan pode ir na loja e encher
o saco dos caras pra descolar o CD e coisa e tal. O fan tem
o maior poder no mundo do Music Business. Uma pena que eles
não sabem ou não acreditam nisto.
AR - Quando
rola uma turnê Brasileira?
Baffo - Vai demorar
um pouco. Não vamos voltar ao Brasil enquanto não
tivermos um esquema bom de promoção e distribuição
porque não vale a pena pra gente. É muita grana
pra levar a banda pro Brasil e nós não a temos.
As possibilidades ainda assim existem. Vamos ver o que acontece
no ano que vem, estamos trabalhando pra isso. Tudo o que nós
fazemos é porque queremos crescer no Brasil, nossa
terra!
AR - Em qual
mídia européia vocês tem conseguido mais
espaço?
Baffo - Nenhuma.
Rolam revistas e TV, mas somente nos programas especializados
e nas revistas especializadas mesmo. Mesmo assim não
temos nada a reclamar. A coisa está rolando e o negócio
vai fazer a coisa se expandir. É não esperar
que ninguém faça nada por você, só
você mesmo. Quem tem a banda somos nós e o interesse
é nosso. O pessoal da imprensa não está
ali para ajudar ninguém, estão ali para ganhar
dinheiro.
AR - Já
existe algum material para um próximo CD?
Baffo - Já
temos uma música. O STRAIN foi lançado na Europa
em Julho, Um próximo disco será feito somente
no ano que vem e sendo assim uma música pronta já
está bom. Precisamos dar música do ABC para
o povo europeu ouvir e assim abrir espaço para as bandas
dos nossos manos que estão aí na batalha que
a gente já enfrentou, vamos abrir espaço pros
caras, o ABC vai virar história... Se liga no que eu
estou te falando.
AR - Do que
vocês sentem falta do Brasil?
Baffo - Carne!
Cachaça! Farinha barata! Os manos! O Red Onion! A Metal.
Aqui nós
só temos uns aos outros e pra quem tá aí
no Brasil é muito fácil falar besteira do RETTURN,
mas nós somos uma banda que resistiu ao não
do mercado. Nós mudamos para a Europa para poder viver
com a banda, da banda, sem palhaçadas. Somos 5 irmãos
e assim seremos por quantos anos a banda durar. Até
o Robson e o Nego caírem pra tras de cirrose de tanto
beber tequila e cerveja.... Até o Michel morrer de
úlcera nervosa com os caras da gravadora e os empresários...
Até eu bater o carro num poste a 200 km/h "loco
de pó".
Não gostamos
da Holanda, é frio e chove muito. Não entendemos
nada do que os caras falam, só em inglês. O nosso
pessoal está no Jaçatuba, na Vila Suiça,
no Bairro Assunção, São Caetano, São
Bernardo, espalhados pelo ABC e São Paulo.
AR - O terrorismo
nos EUA afetou o Retturn de alguma forma?
Baffo - Não!
Dane-se os EUA. Nós não temos nada com isso
e aqui na Europa não rolou nada, mas muitos shows de
banda åmericanas foram cancelados. O pantera cancelou
toda sua turnê européia e o Evan do Biohazard
me disse que por pouco não fez o mesmo. O cara mora
no Brooklin e viu a fumaça dos prédios pela
janela do quarto, o cara estava emocionado mesmo. Sentimos
muito por eles, pelass famílias que perderam pessoas
e só. Nínguem chorou quando os caras bombardearam
a Iugoslávia, não apareceu 24 horas por dia
na CNN.
AR - Daí
de fora, qual a banda brasileira que vocês veêm
com mais chance ser destaque no exterior?
Baffo - O Krisiun
já tem, mas é outro "rolê" né.
No mundo black/death metal os caras tem respeito. Nós
estamos crescendo e esperamos conseguir representar legal
o Brasil aqui fora. Vão ser aqueles que fizerem por
merecer, a única coisa que eu tenho certeza é
que tem que ser uma banda que toque um metal mais moderno,
porque é o que rola aqui e nos EUA. Essa história
que na Europa o Metal é forte, não é
bem assim. O Metal é muito forte na Alemanha e para
as banda alemãs.

AR - Qual
o momento mais marcante na carreira da banda?
Baffo - Até
agora os dois últimos shows que fizemos na Republica
Tcheca. Um no campeonato mundial de SK8 e outro com o Living
Colour. Foi demais. Aquele país é bem legal,
as mulheres são bonitas (na Holanda também)
e a cerveja é das melhores com preço tamb´m
muito bom. Os dois shows estavam muito cheios e foram algo
de se respeitar. A bandeira brasileira estava no palco nos
dois shows.
AR - Já
rolou alguma roubada ou fato curioso com vocês na Europa?
Baffo - Já
tivemos que dormir na rua pra poder pagar hotel pro técnico
de som e pro manager da banda porque eles estavam dando uma
força tremenda e seria muito fazer os caras dormirem
na rua. Aí nós ficamos na balada em Pilzen,
na República Tcheca (onde os caras inventaram a cerveja
e onde tem a melhor cerveja do mundo). As minas mais cabulosas,
soltinhas. Nem vimos a noite passar. Foi do c.......!
AR - Além
dos 5 integrantes, quantos são os membros da equipe
técnica?
Baffo - Tem o
Domura que é nosso faz tudo, por isso ele ganhou o
cargo de stage manager. O Norbert, um holandes que é
nosso Tour nanager, vai e volta pra onde for e nos acorda
quando precisa, recebe quando nós estamos chapados,
tem todos os mapas na mão, estas coisas. E tem 4 roadies
que se escrever o nome deles ninguém vai conseguir
ler, são 3 holandeses e 1 americano.
AR - Vocês
ainda teêm contato com os ex-integrantes do Retturn?
Baffo - Eu ainda
tenho contato com o Palmer e o Jaba. O Michel, o Nêgo,
o Robson e o Fábio não. Não há
contato algum. O Palmer é meu amigo e tal, nada muda
isso, pois se mudasse é que a amizade não seria
verdadeira. O que rolou não importa mais. Gosto muito
de toda a família dele, eles sempre nos ajudaram muito
e eu particularmente não tenho razão pra ficar
puto com isso. Se continuasse puto isso só seria uma
demonstração de fraqueza da minha parte. Cada
um tem o que merece.
AR - O que
vocês tem a dizer pra galera do Brasil?
Baffo - Aí
rapaziada, Vamos tocar guitarra! Vamos ouvir Barulho! Fazer
e acontecer!
Ouçam
o novo disco do RETTURN! O novo disco do NECROMANCIA! E de
várias outra bandas que vocês conhecem e muitos
não dão valor! Vamos por o Brasil pra funcionar!
Vamos achar lugar pra tocar!
Nós não
estamos podendo tocar no Brasil porque a cena é muito
dispersa. Quando o Sepultura estava na época do Arise
a cena era forte e por isso havia tantas bandas, mas aquela
geração se foi, agora é a vez de outros
e depende de vocês. Vamos gritar bem alto senão
ninguém escuta!
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